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Anote ai Meu Carma

Eu ontem tive que abrir a porta do passado para deixar um recado. Machuca o peito ouvir a voz de quem você tanto admirava. Mas não por que você sente saudades, isso você sente, é inevitável. Mas dói por que aquele timbre não tem o mesmo som que tinha contigo. O timbre parece-lhe outro aos ouvidos e você se sente incomodado. E ao deixar a porta por segundos aberta todos os fantasmas do passado se sentem no direito de adentrar novamente em seu mundo particular. Alguns nem pedem permissão e vão se jogando nas lembranças de outrora. Outros mandam e-mails estranhos que você demora até séculos para descobrir quem é aquela pessoa. Alguns tantos você acaba nem reconhecendo, pois além da voz, toda a essência mudou. As pessoas mudam constantemente. Vivem em um processo contínuo de evolução. Mas é estranho você dormir hoje com alguém e amanhã essa pessoa levantar, olhar para você e não reconhecer as próprias juras de amor. É algo meio surreal. Você fica perdido no mundo em que acabou vivendo com o “bem amado”. Aquele em que eram lidas declarações e em que os olhares se encontravam na multidão. E perdido em um mundo paralelo, o da realidade, onde o trânsito e todos os lugares perdem o sentido. Você acha que perdeu o sentido da vida, por que dói tanto saber que as pessoas surtam e na verdade podem não ser o que achávamos que fossem. É, algumas pessoas enganam a gente. Amigos nos apunhalam pelas costas. Mas com um amigo ainda é fácil de lidar. As responsabilidades da amizade são menores do que as do “Eu te amo e vamos ficar juntos para sempre!”. Por que o namorado (ou namorada) é também um amigo e mais do que isso, é aquela pessoa em quem você confia para compartilhar os segredos mais bizarros, as carências e as alegrias. Agora a porta meio que emperrou aqui e tá difícil fechá-la. Não sei explicar. Mas talvez hoje eu não tenha forças para fechá-la dizendo: “Nunca mais eu entro aqui de novo!”. Por que não é bem assim o que se sente. E como não sou hipócrita com relação ao que meu coração pensa, estou aqui, sem forças, vazio… Sentindo a brisa do passado alisar-me o cabelo e a alma. Eu sei que você nunca mais voltará. Nunca mais entrará e me chamará de amor. Mas agora, eu preciso não te reconhecer para poder levantar e fechar a porta na sua cara. A decepção às vezes é o melhor remédio para o fim de um “Eu te amo.”.

M.P.